Cedito da manhã estrada em nós. Por volta das 9h30min já procurávamos um estacionamento seguro para as motos em Rivera, afinal passar por uma zona franca sem fazer um "chibo" não tem graça. Felizmente o pouco espaço para bagagem limitou nossas compras. Três paradas para abastecimento, um lanchinho em Pantano Grande e de volta a BR 290 olho pelo retrovisor e avisto uma moto com 3 potentes faróis que se aproximava rapidamente. Não deu tempo para processar que aqueles faróis poderiam ser de uma K1300 do … sim, era o Cássio, um dos paulistas que nos acompanharam na travessia dos Andes, que emparelhava ao meu lado. Lá por Santiago eles haviam tomado caminhos diferentes mas sempre mantivemos contato pelo WhatsApp. Tinham saído de Uruguaiana também cedo da manhã e o Adriano regressava de guincho, uma vez que sua Triumph tinha apresentado problemas com a embreagem. Se tivéssemos marcado um encontro não teria dado certo. Paradinha básica em Eldorado para um cafezinho e nos despedir do Cássio, mais 40 minutos desligava o motor da Japa em frente de casa.
Olhando assim parece pouco.
As máquinas.
Rara foto onde todos estão presentes.
Para quem gosta de números eis o nosso diário de bordo.
A planilha de abastecimento.
As despesas com hospedagem aqui divididas por dois.
O calor do dia anterior se transformou em chuva. Ainda na cama do "Art Deco Hotel" se ouvia os trovões e a chuva bantendo no telhado. Sempre preferi, se é para enfrentar chuva na pilotagem, iniciar a motorada já preparado. Sei lá, o espírito fica mais conformado e alerta, o preparo das roupas e tudo mais ganha melhor atenção ao contrário do corre corre na beira da estrada se trocando para a chuva, sem falar que a pista já esta mais lavada e menos barro na cara. Bem, assim partimos rumo ao Uruguay, no início motorando entre 70 80 km por hora. Assim que a estrada melhorou um pouco ( o asfalto em manutenção estava todo fresado e com muitas poças de água ) o trem também melhorou e a média normalizou. Já no Uruguay entre Fray Bentos e Paysandu, trecho repletos de bi-trens carregados de eucaliptos para a papeleira, eis que ao cruzar um desses enormes caminhões me surge a frente, vindo não sei de onde, um balde plástico de 18 litros. Não deu tempo para fazer nada, só ver aquela coisa amarela "raspando a minha cara"…. certamente desviada por alguém a quem devo um muito obrigado. Mas também se houve algum risco nesta viagem, foi esse. Fim de tarde em Tacuarembó, mais um hotelzinho marreta, 1600 pesos em efetivo ou 2000 no cartão. Conseguimos dar uma volta pela cidade nos divertindo com a movimentação dos locais comemorando o "ralouin" ( pode? o colonialismo cultural ianque até aqui? ) e depois de uma bela pizza, cama para enfrentar no próximo dia o trecho até em casa.
Cuidado ao utilizar o buscador espião americano no planejamento da sua viagem, aqui por exemplo, ele não consegue reconhecer a ponte no Rio Uruguay em Fray Bentos.
A solução encontrada foi fazer o trecho em duas partes. Que burro né?
Numa das paradas para abastecer surge essa raridade para nós.
Recuperando. O coadjuvante do dia foi o vento o pó e o calor. Os mais de 700 km já não pesavam muito afinal para baixo todo o santo ajuda. Esta região da Argentina até onde se consegue ver é só plantação, interrompida vez que outra por algum núcleo "urbano" que sedia as cooperativas produtoras e os seus enormes silos de grãos. O Mato Grosso dos hermanos, ao contrário das nossas plantações em coxilhas, é muito plano o que certamente deve contribuir para os altos índices produtivos de trigo, soja e outros. Descrita a paisagem vale lembrar que ás 13 horas a Frida completou com muita disposição a sua primeira centena de quilômetros rodados. Embora sem fotos ( não dava para parar, tínhamos que encontrar um hotel antes da noite avançada ) o trecho entre Rosário e Victória é muito interessante com os seus mais de 30 km entre rio(s) pântanos e pontes e um lindo entardecer!
Mesmo no bagaço, com mais de 1400 km rodados nesses dois dias, em respeito aos milhares de seguidores resolvemos fazer um brutal esforço e dar sinal de vida. Quem tiver saco de esperar para ver os maravilhosos vídeos que fizemos nos Andes com sol e neve não vai se arrepender, deixa passar essa loucura de estrada. Fiquem com algumas fotos ...... a†é
Dia 29, Santiago até San Luis frio e muito calor no mesmo dia.
Dizer o que....?
..... senão a nossa insignificância.
San Luiz - Victoria, um coquetel de emoções .... chuva, calor e MUITO vento.
Parabéns para a Frida, não é qualquer motinho que faz 100mil assim inteirona!
As rodovias na Argentina oferecem a sombra para o descanso.
Mais um livre em Santiago, logo cedo o Rogério encontrou o controle remoto para a sua LG. Depois fomos dar uma volta no parque Santa Luzia. No almoço um peixinho no mercado, mais uma caminhada, um cafezinho Haithi e voltamos para o apart para descansar e preparar a volta. Saliento a importância do metro para Santiago, ou melhor, para qualquer cidade grande "como São Paulo por exemplo", mesmo que os consecutivos governos paulistas tenham desconsiderado este importante meio de mobilidade urbana.
Esta foi a previsão de hoje para a região da Cordilheira que vamos cruzar amanhã.
O percurso de 356km com duas horas de aduana.
Finalmente o reconhecimentos das gatas chilenas.....
....das gatinhas.
Estético filosófico no Parque Santa Luzia.
Não poderia ficar sem uma moto então coloco a Japa ainda em Cidreira.
Por sorte chegamos em Santiago num sábado quando o clima caótico de uma metrópole se faz mais amigável. Instalados do apart que a frau Marília reservou de POA, saímos para conhecer a cidade. O funicular do cerro do zoo foi o primeiro ponto. Não devia contar mas a primeira vez a gente nunca esquece. Na fila para comprar os tiquetes para o funicular calculei, vendo no mural, o custo de 5800 pesos para nos dois e assim já fui adiantando as notas. Eis que o caixa pergunta, assim de cara sem qualquer cerimônia, se éramos da terceira idade e respondendo as nossas idades ele nos cobrou apenas 4000 pesos. Gente, esse desconto doeu..... e com certeza inaugurei mais uma etapa na minha vida.... a da melhor idade...vai a p. q. t. p. Hoje domingo saltamos da cama mais tarde como se faz aos domingos em qualquer lugar. Tiozinhos perneando o dia todo cansam. No mercado experimentamos a centoya com uma entrada de "locos" umas lesminhas do mar muito saborosas. A tal centoya ou caranguejo real, aquele da pesca mortal, vale cada centavo mas provavelmente não terá um bi$. Do mercado fomos pernear pela cidade, acompanhem por algumas fotos. a†é
A centoya antes de ir para a panela.
Palácio de La Moneda, ala residencial que no golpe militar foi destruída por bombardeio aéreo comandado pelos ianques que vitimou Salvador Aliende, então presidente do Chileno democraticamente eleito pelo povo.
Belíssima catedral metropolitana. Não gosto muito de superlativos mas aqui o belíssima vale.
Ao fundo de qualquer angulo a cordilheira esta sempre presente.
138 km rodados, tempo muito bom, céu azul e ultra violeta grau dez de queimar o cucuruto.
Foi o dia de registrar a outra Costa, a do Pacífico. Embora a intenção era a de gravar o sol se pondo no mar, cena incomum para quem vive no leste. Conseguimos em pleno dia as fotos abaixo. Resumindo, ligamos com esta viagem os dois oceanos, de Cidreira até Cocón. Satisfação total. Agora cruzaremos o Andes novamente e depois mais uns 2000km e estaremos em casa novamente.
138km do litoral até a capital.
O prazer de uma conquista.
Os bonitões na foto com o Pacífico ao fundo, é preciso muita bunda.
Estético filosófico.
As máquinas guerreiras posando pra foto.
A japa.
Augusto, o boliviano gente fina que conhecemos e esta indo com a Suzuki 650 até Maceió.
Não dava mais para esperar e então resolvemos pular o nosso registro do Pacífico em Cocón e deixar para vocês um pedacinho do que foi a passagem na cordilheira. abraços e a†é.
Vários km rodados, algo como 400. ( por motivos de força maior os registros se perderam)
Ainda no café da manhã em Mendonza encontramos dois paulistas também de moto que nos abordaram sobre a ida para Santiago. Segundo Cássio e Adriano, Los Caracoles, no lado Chileno após a aduana, no dia anterior esteve bloqueado devido a uma nevasca e conforme a internet ainda era incerto o "passo". Um banho de água fria se abate ao nosso tão esperado momento de cruzar os Andes…. Resolvemos mesmo assim seguir, agora em 4 motos e ver no que ia dar, no máximo teríamos que voltar para dormir em Mendonza. E assim partimos, com muita fé, ou como se diz com o c… na estaca. Pois bem, encurtando a "estória", conseguimos. Realmente o trecho entre Mendonza e o Chile é a coroação da viagem. Já na saída avistávamos ao longe os picos nevados, a emoção e a euforia toma conta e fica difícil conter o punho. Eu estava ponteando porque o meu GPS era o único que estava funcionando. A medida que subíamos o frio ia aumentando e as camadas da cebola iam aumentando. A compra das segundas peles valeram embora no final achamos que até não fez tanto frio assim. As últimas leituras do termômetro das motos marcavam 6 graus com sensação térmica de um monte menos. Curvas, túneis, pontes, neve e paredões vermelhos formavam a paisagem até chegarmos na aduana…. desnecessário dizer que a burocracia chilena nos tomou mais de 2 horas… tiene que ter saco. Vencida essa etapa, é a vez finalmente dos caracoles, uma sucessão de 23 curvas de muita emoção e velocidade máxima de 20km. Aqui perdemos mais de 30 minutos em barreiras de manutenção da estrada. Fiz umas filmagens com a GO PRO que ficará para mais tarde. Não sendo um mal agradecido, uma vez que nem tínhamos certeza se conseguiríamos passar, só faltou a palheta de cor do sol, estava tudo muito cinza de um nublado quase querendo chover, o que seria uma lástima. No entroncamento para Santiago os paulistas tomaram a esquerda e nós seguimos para o oeste rumo ao Pacífico, mais 120 km nos levaram até Valparaíso. Quando nos quedamos na portaria do IBIS passava das 21horas, embora a pouca quilometragem foi um dia duro e compensador. As fotos de neve ficaram no celular….. a†é
Trajeto do dia.
Pode um hotel estrelado só ter uma tomada no banheiro para a nossa central de carregamento de baterias?
As máquinas.
Cássio e Adriano os nossos companheiros de estrada.
Sobre os comentários Eu configurei para postagens anônimas no item Escolher uma Identidade. Escrevam, apenas, o primeiro nome ao final do texto postado, nada mais. Abraços. Podem também enviar e-mails para Ferreira. Horários O blogspot faz algumas loucuras, mas eu configurei para o horário brasileiro.